preferidas acho que não tenho, mas as que mais to ouvindo esses dias é as do John Mayer, fazia tempo que eu não ouvia, deu saudade.

“Desculpe-me ligar assim, sem aviso, mas só queria saber como estás” […] Era você, disso eu não tinha dúvidas. Já se passou tanto tempo e ainda não consegui esquecer esse teu timbre rouco. Calma coração, respira fundo, ele só quer saber como estamos. Será essa a hora? Será agora que vou dizer tudo aquilo que o tempo não deixou? Será agora que as lágrimas irão rolar? Ensaiei tantos diálogos entre nós dois, ensaiei tantas justificativas para o nosso fim, ensaiei tanto pra tanta coisa, e agora, na hora de atuar, esqueci minhas falas. Alguém pode me lembrar o que devo dizer agora? Alguém me lembra, por favor, em que parte da história, estamos? Não me lembro se estamos no desfecho, ou se recomeçamos aquele novo capítulo. Esqueci-me de tudo agora. Como se tu tivesses desativado uma parte do meu cérebro, como se todas as minhas mágoas que guardei de ti, tivessem sido apagadas ao som da sua voz. […] “Respira fundo, pequena. Tu esperaste tanto por esse dia, precisas dizer a ele o que sentes”. Não, eu não consigo. Ensaios de nada me serviram. Ei coração, preciso da tua ajuda, lembra das vezes em que tu disparaste quando o via, tentando me fazer falar o que está guardado aí dentro? Talvez seja essa a hora em que tu explodes e deixas escapar tudo o que sentimos nesses nossos tempos de solidão. Mas não adianta, esse meu coração está machucado demais pra falar, ele está cansado dessa luta, dessa tristeza que és viver sem ti. […] “Mas vá menina, essa é a hora de dizer pra ele sobre aquelas noites que tu passaste em claro, desejando que ele voltasse. Está na hora deste teu coração voltar a bater como antes, voltar a ter vida. Vida, pequena. Diga-lhe, que ele é sua vida. Tantas vezes tu disseste isso a si mesma, porque és tão difícil deixar escapar pelo telefone? Ele precisa saber, que tu não superastes o fim, que nesses tempos sem ele, foi mais que uma eternidade para ti. Quantas vezes tu não querias nem sequer levantar da cama? Vá, diga que perdeu o sono sem ele. Diga que precisas do cafuné dele para pegar no sono. Tem tantas coisas engasgadas aí dentro, tantos sentimentos que ainda não dissestes, tantas palavras que ele precisa ouvir. E aqueles “eu te amo” que você teve medo de dizer? Chegou a hora, diga que amor nenhum é maior que o seu por ele. […] Erga essa cabeça pequena, respira fundo. Acalma esse teu coração machucado. Diga a ele sobre aqueles teus choros sem fim, sobre aquela sua angústia que ainda perdura aí dentro. Não guarde isso só para ti, ele precisa saber que a ausência dele, está te arranhando a alma. Sei que tu podes ser só mais uma em um milhão para ele, mas ele precisa saber que ele és o único pra ti. Diga-lhe que tu ainda és forte para lutar por vocês, que lutarás até o último minuto, porque sabes que ele é a pessoa certa. Esqueça aqueles milhões de ensaios, esqueça aquelas frases feitas, aqueles pedidos clichês. Improvise. Implore. Sei que esse teu orgulho está te prendendo nesse teu silêncio, mas tu precisas implorar por ele. Diga-lhe para voltar, e trazer cor as coisas que ele deixou, peça-lhe para voltar e arrumar essa bagunça que ele causou, essa cama mal feita, esse café amargo na mesa, esses teus pedaços de felicidade estraçalhados no chão, trazer luz nessa tua vida de escuridão. Tu precisas dele, e ele precisas saber disto. Não o deixe escapar, pequena, não agora”. […] Mas droga, é essa voz me martelando na cabeça, dizendo-me para deixar escapar todos os meus pedidos, todas as minha lágrimas. Será mesmo a hora de tentar justificar o fim? Não, o fim não precisa de justificativas. E essa história não precisa de uma continuação, é o fim coração, aguenta porque daqui pra frente continuará sendo só eu e você. No outro lado da linha tem alguém esperando por resposta, e esse alguém não precisa saber que faz falta aqui. […] “Alô, ainda está aí? Diz-me, como estás?” “Oi, estou aqui, estou bem, eu estou sempre bem, e você como estás? […] EfeitoSombra.

Mas antes que esta porta se feche, queria dizer-te que tu teves razão todo esse tempo. Dizia-me que eu era fraca, que tentava me esconder por trás de um muro de pedras, mas que tu sabias que por de trás desse muro, só havia um vidro abandonado fácil de quebrar. E eu ria irritada por me conheceres tão bem. Tinhas razão, fui fraca nesses tempos de nós dois. E estou sendo fraca agora saindo por esta porta. Mas antes que eu me vá, queria que soubesses que tempo nenhum te tirará de mim, que há tempos tu fizestes morada aqui dentro, e mesmo se eu quisesse te arrancar daqui, isso destruiria uma parte de mim. E dói saber que partirei sem saber se fiz morada dentro de ti também. Nem sei se fiz alguma diferença pra ti. Tantas vezes tu me olhaste em silêncio, e eu por medo desviava o olhar. Eu nunca vou saber como seria se eu tivesse te olhado naqueles minutos, eu nunca vou saber se você diria alguma coisa, ou se o silêncio permaneceria. Talvez a culpa seja minha então, talvez todos aqueles longos silêncios, foram provocados por mim. Mas já não tenho tempo de pensar como seria sem aqueles silêncios. As malas já estão prontas para partir, e eu também […] Mas espere, ainda tenho alguns míseros minutos. Vai ser difícil dizer tudo o que está engasgado aqui dentro há tempos, mas deixe-me falar, por favor.Preciso dizer-te que tu foste toda a minha vida. E todos aqueles meus abraços inesperados, todos aqueles meus sorrisos bobos, todas aquelas desculpas que inventava pra te ter por perto, eram sempre uma maneira de dizer-te isso, e é desesperador a ideia de ir embora, porque sei que depois que eu estiver do outro lado da porta, eu só serei mais uma alma perdida por aí, sem razão nenhuma pra viver, sem vida nenhuma pra amar[…] Mas antes que eu me perca sozinha do outro lado da porta, prometa-me, que quando alguém entrar por esta porta, entrar nessa tua vida, e ocupar o lugar que me pertencia, prometa-me que esse tal alguém não te fará esquecer de mim, que dentro desse teu coração tão indeciso, tão inconsequente, sempre vai ter espaço para mim. Que outras pessoas, outros sorrisos, outras histórias, nunca sejam fortes o suficiente para apagar o que um significou para o outro. […] Tenho que partir agora, mas antes que eu saia dessa sua vida, que por pouco também achei que fosse a minha, queria pedir-te para que não te esqueças do muito amor que te dei, do muito amor que eu tinha, e que ainda tenho. Tu sabes que foi amor, que da minha parte, sempre foi e sempre será amor. Mas perdi minhas forças, meu muro de pedras desabou, e o vidro foi quebrado. Estou sendo fraca agora, desistindo assim. Mas desisto com a certeza de que lutei até o último minuto. Desisto, porque não sou forte o suficiente para amar sozinha. Amei por nós dois, todo esse tempo. Desculpe-me, mas meu orgulho próprio está me obrigando a desistir agora. E desculpe-me também por estas lágrimas nos meus olhos que agora escorrem. Desculpe-me se não fui forte o suficiente. Mas preciso partir e descobrir que também valho a pena. E te cuida, por favor, te cuida aí, que eu vou me cuidar aqui… Do lado de fora da porta, do lado de fora da sua vida. EfeitoSombra.
